26 de mar de 2018

Uma casa desprovida de histórias


Abri meus olhos em uma daquelas manhãs propícias a reflexão, onde o tempo está ameno, nem frio pra te fazer voltar dormir e nem quente pra te fazer sentir vontade de levantar. Estava tudo simplesmente muito calmo, era começo de manhã em um domingo qualquer, pela primeira vez em anos eu pude de fato entender o que me incomodava em todas as casas onde moramos, o motivo pelo qual eu pouco conseguia permanecer, percebi que o principal elo que une as pessoas nos faltava, o ambiente que chamávamos de casa não tinha traços do tempo em estávamos juntos, não tinha histórias, nossa personalidade não estava estampada nos ambientes, era tudo muito impessoal. Nunca trocamos a cor da parede, nunca fizemos uma decoração brega, sequer acumulamos alguma coisa como pessoas normais fazem. Não espalhamos fotos nossas pela casa, não deixamos bilhetes fixados com imãs na porta da geladeira. Tudo sempre foi muito vazio!

Não compramos uma árvore de natal ou sequer colocamos presentes embaixo dela, cuecas em um pacote, pares de meia pra substituir os seus que estão rasgados em outro, uma camisa pólo igual a todas que você tem ou qualquer outra coisa que você ache bacana e queira ganhar. Não houve surpresa de aniversário/casamento/dia da árvore ou qualquer outra data comemorativa, e muito menos lágrimas minhas de emoção dizendo que eu não desconfiei de nada, ou sequer um riso abafado que denota que sim eu desconfiei. As paredes não guardaram segredos bons, os nomes dos nossos filhos, as viagens que queríamos fazer juntos, toda uma vida que poderíamos ter, nunca paramos pra sonhar. Tudo sempre foi pesado demais!

Quando eu fui embora, não deixei nada pra trás, ou sequer levei algo comigo, não tinha o que deixar ou levar, você nunca me permitiu ter, sequer me permitiu SER. Não houve briga onde eu derrubei  coisas no chão pra te deixar chateado, não fiz a mala e coloquei o máximo de coisas dentro, deixando ainda muitas delas pra trás como acontece normalmente com os outros casais, coisas estas que te fariam lembrar de mim, um livro de cabeceira, as muitas canetas e lápis de cor que eu faço questão de usar, o sapato que eu sempre deixo fora do lugar, o meu cheiro impregnado nos lençóis. Não há nada disso! E tudo bem, não vai doer tanto pra você, você jamais vai me ligar dizendo que está sentindo saudades, que sente falta do calor, das minhas roupas no armário e da minha risada ecoando pela casa, afinal tudo isso sempre foi um grande incômodo. A palavra saudade jamais sairá da sua boca, por que pra existir saudade meu amor, tem que existir história, e isso nós tivemos apenas enquanto o amor durou, coisa que pelas minhas contas, foi há muito tempo atrás.

Este é um texto fictício, baseado em conversas e histórias reais de pessoas conhecidas. Quer que um episódio da sua vida vire um texto inspirador aqui no blog? Basta clicar ali em cima na aba CONTATO e preencher o formulário contanto a sua história ♥ O que acharam do texto de hoje? Não saia sem comentar, vou adorar saber a sua opinião!

Beijo da Mana dos Pitacos 

6 comentários:

  1. Marcelle, adorei esse texto! Ficou muito bacana!

    Beijo!
    Cores do Vício

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    1. Fico feliz que tenha gostado linda ♥ Obrigada pela sua visitinha e volte sempre!!! Beijos de luz

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  2. Eu quase choro lendo esse texto, arrasou mana!

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    1. Muito obrigada por ter lido e gostado!!! E obrigada também pela sua visita aqui no blog, volte sempre ♥

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  3. Ai que texto triste :(
    Você escreve bem, mas é triste.

    https://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada pela sua visitinha aqui no blog ♥ Um super beijo e volte sempre!!!

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