7 de mar de 2018

Procura-se pessoas para dividir a conta

Foto / Sam Manns

Sempre tive um pé frio pra amizades, o que acontecia na maioria do tempo era que eu sempre era aquela que se doava, que fazia tudo pelo amigo, que corria atrás, que estava presente em todos os momentos, topava qualquer parada e consequentemente ficava frustrada por que nunca era correspondida da mesma forma. Sempre pedi a Deus amizades que fossem de fato recíprocas, onde eu também poderia beber das doses do amor que eu tanto gosto de proporcionar, onde a partir do momento que eu conto a minha vida, o outro também pode se abrir comigo. Amizade pra mim nunca foi sinônimo de grude, mas também nunca suportei a ideia de ter que cobrar atenção, de ter que ensinar ao outro como ser amigo de verdade, e pra falar a verdade passei a ter ranço (pelo visto o vocabulário contemporâneo invadiu até os posts do blog) de pessoas que após alguns meses de convívio, sabiam muito sobre mim, mas eu pouco sabia sobre elas.

Esses dias estava em um restaurante aqui da minha cidade com uma amiga, ela não sabe mas eu senti uma emoção enorme ao vê-la dividindo seus planos e aflições comigo, sabe quando você percebe que ali na sua frente está justamente a pessoa que você estava precisando, que chegou pra atender aquelas preces que você sempre fez? Foi o meu primeiro momento de serendipidade de 2018! Naquele momento muitas coisas estavam sendo divididas, pra começar a conta do restaurante, também os planos, a mesa, o momento da refeição, as aflições, as risadas, a vida... Acho que o princípio básico de toda relação é dividir, e o mais interessante é que ninguém fica com menos, quanto mais você divide mais forte o vínculo entre duas pessoas se torna, mais você sente que pode dividir, e tudo se torna muito mais fácil de carregar.

Não quero amizades onde as pessoas queiram que eu pague a conta delas, chega um momento em que se torna pesado tomar as responsabilidades do relacionamento que são do outro, e eu já tive tantos relacionamentos assim que eu já sei de cor e salteado como funciona. Muito menos quero que paguem a conta por mim, coisas fáceis demais nunca me agradaram! Quero pessoas que dividam a conta no final, que façam aquela vaquinha onde todo mundo se ajuda, que dividam a vida, o caminho, os problemas, as alegrias, as coisas bobas do dia-a-dia, as músicas, os filmes, que dividam o seu eu assim como eu me divido e mesmo assim não deixo de me sentir completa. Quero olhar para o telefone e perceber que eu tenho alguém com quem dividir, alguém com quem eu possa contar, e também contar tudo e o mesmo tempo nada. Mas principalmente, quero que o outro sinta o mesmo com relação a mim, afinal não sei ser amigo de conveniência, de brincadeira, não sei me entregar pela metade. Pra finalizar, pra comer no restaurante que é a vida, eu procuro pessoas com quem eu possa dividir a conta, caso contrário, prefiro comer sozinha...

Beijo da Mana dos Pitacos

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