Ei você aí, guarda o teu coração!


A gente só entende a expressão "guarda o teu coração" no momento em que percebemos que ele já está aos pedaços e que poderíamos ter feito muito mais pela gente. Eu gosto muito de falar das minhas experiências pessoais por que acredito que alguém um dia vai ler isso aqui e retirar algo de bom pra sua vida, afinal seria maravilhoso se a gente simplesmente aprendesse com os erros dos outros ao invés de colocar a mão no fogo pra ver se de fato queima. Durante meus poucos anos de vida, pra mim 23 ainda não é muito, eu já passei por inúmeras fases, mas uma coisa sempre foi muito marcante em todas elas: Eu sempre quis me enturmar, pertencer a algo e a alguém... Quando eu lembro de tudo o que eu poderia não ter vivido em prol da minha saúde emocional eu sempre penso: Quanta bobagem essa carência toda! Com o passar dos tempos e ao adquirir alguma experiência, percebi que eu poderia ter me resguardado muito mais de determinadas coisas ou mais precisamente, de determinadas pessoas.

Mas a gente cresce e quer experienciar o mundo ao nosso redor e viver, o que não é errado, o problema é que nós ainda não sabemos jogar o jogo e até que a gente aprenda a se esquivar dos obstáculos do caminho a gente já tropeçou e pegou tanta porrada que faz com que a gente perca muito dessa coisa bonita que há dentro da gente, e se a gente não tiver cuidado, a gente acaba por se tornar no futuro adultos sem fé, sem amor, invejosos, angustiados, sem capacidade de se auto-perdoar e muito menos de perdoar os outros. E tudo isso poderia ser resolvido se a gente muito mais do que guardar, a gente blindasse o nosso coração contra todos os sentimentos ruins que nos rodeiam, entendesse que a vida por mais curta que seja deve ser vivida com calma para que seja excelente e ainda que se manter inteiro é sempre a melhor escolha.

Mas parece que quanto mais o tempo passa, mais jovens as pessoas se colocam em meio a situações que as mudam pra vida inteira, nos colocamos em meio a relacionamentos que vão nos magoar profundamente por não sabemos esperar o momento certo, chamamos de amigo pessoas que estão em nossas vidas há pouco tempo e tomamos decisões desnecessárias que podem não fazer nenhum pingo de sentido depois. Eu nos últimos tempos compreendi o motivo de toda a angustia que eu estou/estava sentindo, existiam muitos pedaços meus jogados por aí. Sentimentos, esperanças e confiança depositadas em gente demais e trazer tudo isso de volta pra si é muito difícil e árduo, quem dera eu tivesse tido discernimento pra não me desconjuntar tanto.

A questão é que ninguém ensina a gente a viver sozinho e pra falar a verdade as pessoas acham a solidão uma anomalia e a encaram com estranheza, mas muito destroço poderia não ser causado se a gente entendesse que as respostas pra tudo estão dentro da gente mesmo, lá no fundinho. Que antes de procurar amor a gente tem que aprender a se amar, que somos completos e que não precisamos de ninguém pra nos dizer eu te amo pra nos sentirmos de fato amados; Que antes de sairmos pulando de amizade em amizade a gente tem que apreciar a nossa própria companhia, acreditar no nosso próprio taco e que botar pra fora tudo sobre a gente pra outra pessoa é um consolo momentâneo. E também que a gente não precisa viver a vida inteira de uma única vez, por mais que arriscar seja legal, pisar no freio e viver um pouco mais antes de tomar decisões sérias demais também é uma opção viável, e pra falar a verdade, muito mais sábia.

Vamos deixar pra definir os amigos pra sempre, a carreira que vamos viver pra sempre e o amor que teremos pra sempre quando a gente tiver consciência de que o pra sempre é muito tempo e que nós somos humanos, fluidos, suscetíveis a mudanças bruscas e é por isso que é necessário que a gente se resguarde, para que as escolhas que a gente fizer no momento certo e as pessoas que a gente for chamar de amor e de amigo, façam jus aos títulos concedidos e nos façam de fato felizes.

Beijos da Mana

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