Desencontro de almas

Foto / Allef Vinicius 

É estranho apaixonar-se. Qualquer pessoa que estivesse a beira de um precipício provavelmente teria o reflexo de dar alguns passos pra trás pra evitar a sensação de que a qualquer momento pode tombar e cair. Eu vejo o amor como um abismo e após ter visto muita coisa nessa vida, ainda me pergunto como os jovens tem a capacidade de se jogar de bom grado em um abismo onde não há como mensurar previamente as consequências de tal queda. Mas jogar-se não é a questão que mais me envolve, acho puramente interessante como caímos, estraçalhamo-nos, nos ferimos e quando enfim conseguimos nos levantar do chão e tratar as feridas, acabamos por nos colocarmos a beira do precipício novamente, abrimos nossos braços, sorrimos ao vento e mergulhamos mais uma vez sem medir as consequências, como se o fato de ferir-se fosse o mais normal dos eventos cotidianos. Talvez seja!

Lembro que já havia me ferido inúmeras vezes, no meu coração tantos buracos que mais se parecia uma peneira, mas eu a vi, no meio de toda aquela multidão ela brilhou pra mim, só pra mim, nunca vi ninguém mais bela, aqueles olhos, aquele jeito, aquele cabelo, tudo me encantava, me atraia, fui impelida a beira do precipício novamente e com aquele sorriso bobo no rosto me joguei na dança que eu não controlava, simplesmente por querer amar novamente. Seu cabelo era vermelho, ardia como a paixão que em mim passou a existir, eles esvoaçavam com o vento e exalavam aquela fragrância única que só ela possuía. E foi assim que me apaixonei, seus olhos castanhos viam muito mais do que o meu exterior, eles prescrutavam a minha alma, viam as minhas maiores fraquezas e me davam a certeza de que nenhuma delas jamais seriam tocadas, e isso me confortava.

Suas palavras eram doces, elas tocavam meu coração, e foram elas que me incitaram a começar nosso caso de amor; Sua risada gostosa no meu ouvido ainda consigo lembrar, era o som mais gostoso de se ouvir; E tornou-se parte de mim após aquele beijo em nosso primeiro encontro. Eu sabia que meu coração era seu há muito tempo, havia encontrado mais uma parte de mim que estava perdida. Com você eu descobri que o baque é sempre o mesmo. Dói, sangra! Mas ainda assim é bom amar, arriscaria eu dizer que é a melhor de todas as sensações humanas. E cair não significa fracasso, mas sim que nada dura para sempre e alguns amores assim foram feitos, coisa do destino. O resultado independente do tempo a que amaremos alguém, é sempre o mesmo, apenas escolhemos as pessoas certas para nos ferir, aquelas por quem sofrer vai valer a pena, aquelas cujas marcas em nossos corações por mais ruins que sejam, ainda assim serão lembradas com carinho por todo a experiência de amor e aprendizado proporcionado.

Durou pouco tempo, mais precisamente 36 meses, mas foi eterno por que levarei cada detalhe dentro de mim, por que cada parte da nossa história não será esquecida e não há razão para querer apagar nada, afinal tudo foi necessário e perfeito da forma como foi, do começo até o fim...  Será eterno por que sua existência me mudou, por que só de te olhar sei que ainda te amo, mas que não nascemos pra sermos um pra sempre, nascemos pra nos encontrarmos, servirmos de aprendizado pra vida um do outro e encontrarmos outros alguens que ensinaremos como amar com mais sabedoria, com mais emoção, com mais felicidade... Registro aqui nosso desencontro de almas que já havia acontecido há bastante tempo, apenas não havíamos nos dado conta, ainda.

Ainda não havia postado aqui no blog nenhum dos meus escritos e espero realmente que gostem, adoro escrever histórias de amor que são baseadas nas minhas vivencias e experiências de pessoas que encontro pelo caminho. Querem ver mais posts assim por aqui? Gostaram do texto? Não deixe de comentar, adoro saber a opinião de vocês!
Beijos da Mana 

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