Passar pela transição é difícil mesmo antes de começar

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O meu big chop tem dia marcado, e a menos que algo dê extremamente errado no dia 01 de julho eu não vou aparecer aqui linda de cabelo super curto, do jeitinho que eu tenho idealizado aqui dentro da cachola. Mas se teve uma coisa que eu aprendi nos últimos dias é que nenhuma decisão acontece de forma fácil, muito menos a de retornar ao cabelo natural (coisa que eu achava que ia ser fichinha). Nos últimos dias tenho andado extremamente irritada com alguns comentários nas minhas redes sociais onde após eu ter cortado o cabelo (no ombro) daqui ali tem sempre alguém que: "não vejo a hora de te ver com cabelo cacheado de novo" "não vejo a hora de tu ter aqueles cachos maravilhosos de volta" e eu fico meio embasbacada pois não sei que cachos são esses que as pessoas estão se referindo. Uma das minhas principais filosofias ao tomar a decisão de deixar as químicas pra trás não é por que virei contra o alisamento, mas que neste momento da minha vida eu estou me sentindo pouco a vontade, sem motivação para ir ao salão e por que não dizer traumatizada pra me colocar nesse tipo de situação novamente, e portanto achei viável aderir o meu cabelo natural. A decisão de raspar foi para que eu não sofresse tanto com a transição.

Lembro que quando meu cabelo era enrolado ele era um poço de indecisão, fora o frizz excessivo e as pontas que nunca ficavam hidratadas por mais que eu cuidasse da melhor forma possível, afinal já era de se esperar, a minha pele é mista, na maioria dos dias ela é muito ressecada, e eu não poderia exigir um cabelo super hidratado, pois não tenho tanto óleo natural assim. E eu ainda não mencionei o fato de que ele não é um exemplo de cachos perfeitos, muito pelo contrário, na frente ele é muito crespo e quebradiço, até a orelha ele não forma cachos e a partir de então é que ele começa a dar indícios de ser um cabelo cacheado. Nesse momento você pode estar pensando: Nossa se antes de cortar você já está achando tantos defeitos no seu cabelo, não vai aguentar ver ele crescendo e provavelmente vai acabar alisando novamente. E é aí que eu entro com o "X" da questão: - Quem disse que eu espero ter um cabelo cacheado perfeito? Se eu tivesse tamanha ambição seria como começar esse processo todo dando um tiro no pé, afinal meu cabelo natural está muito longe de ser perfeito, mas ainda assim EU O QUERO. 

O que mais me deixa irritada é a falta de aceitação das pessoas com as decisões dos outros, o que atrapalha em partes, e me sinto na obrigação de esclarecer que eu gostava do meu cabelo liso e não alisei por que odiava meu cabelo cacheado, alisei ele por que queria ele liso. Também não estou mudando de volta por causa da pressão social, por que cabelo natural está na moda, muito pelo contrário, quanto mais as pessoas falam que querem me ver com "cachos perfeitos" mais desmotivada eu fico, por que eu bem sei como é o meu cabelo, e sei também que ele está longe de ser o que as pessoas esperam. E já deixo de sobreaviso que sou um ser em constante mudança, se daqui a 10 anos eu decidir que quero alisar novamente, todo o meu exterior está ligado ao meu estado de espirito e eu só devo prestar contas comigo mesma por todos os meus atos. No mais, ninguém nunca saberá o que é melhor pra mim a não ser eu mesma.

Pra finalizar, a questão toda é que quando chegamos a conclusão de que algo que nos fazia feliz não nos faz mais, é o momento em que devemos analisar quem somos e se a nossa vida está condizendo com as expectativas que existem dentro da gente, por que se não estiverem, devemos replanejar, rever prioridades e isso inclui o cabelo também, por que é muito mais do que um cabelo, é a forma como nos apresentamos ao mundo, é a nossa identidade em jogo, que vai muito além da aparência e reflete diretamente na postura que teremos perante a sociedade... A transição é difícil mesmo antes de começar, por que antes de mudar o externo, entramos em conflito com quem somos e aquilo que queremos nos tornar e é nesse momento em que a gente não deve duvidar do caminho que a gente já começou trilhar mesmo que de forma inconsciente, pois quando tudo acontece assim, de forma natural, é por que na frente o resultado vai ser incrível e com toda certeza vai nos fazer muito mais feliz. Pra você que como eu está passando pela transição capilar, não se intimide com os conflitos internos no início, eles são normais e fazem parte, por que nunca as crises do cabelo, são de fato sobre o cabelo!

Beijos da Mana

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2 comentários:

  1. Quando resolvi parar de alisar meu cabelo eu estava presa em algo que nunca me fez bem! tenho dermatite e cada química era um sofrimento com caspas e feridas que eu escondia por que cabelo liso é o que há não importa o quanto você lute e sofra pra manter ali algo que não te pertence, parabéns pela atitude, te admiro muito e sempre!

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    1. Obrigada migs ♥ Fico muito feliz com a sua visita e é isso, quando algo deixa de ser natural e se torna luta e sofrimento é melhor deixarmos pra trás, nunca sofri muito com os alisamentos mas na última vez foi algo que eu fiz que me deixou triste demais então resolvi abandonar... e na boa, só de pensar que não vou mais fazer muita coisa melhorou no emocional hahahahha

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